Um olhar da mídia para o pontificado do papa Francisco e para o significado do Sínodo sobre a sinodalidade na Igreja

A BBC publicou no fim de semana, dia 09/10/2021, uma matéria sobre uma percepção externa do que está em curso na Igreja: um ambicioso projeto de reforma institucional a partir de uma escuta ampla dos fieis e da aposta na criação de mecanismos de participação e corresponsabilidade no dinamismo da vida eclesial.

Confira:

Papa abre maior consulta democrática da história da Igreja, que pode mudar futuro da instituição

Autoridades eclesiais apresentam o documento final do Sínodo da Amazônia a jornalistas, no dia do encerramento do evento, no Vaticano.

Por: Edison Veiga

(De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil – 9 de outubro de 2021)

Neste fim de semana, papa Francisco abre o que pretende ser o maior movimento de consulta democrática da história da Igreja Católica, uma religião que, aos longo dos séculos, se tornou símbolo de hierarquia rígida, conservadorismo e pouca transparência — e, de quebra, comanda um Estado, o Vaticano, de forma teocrática.

Nos próximos dois anos, Francisco quer que a imensa maioria dos católicos — idealmente, todos os 1,3 bilhão que se declaram assim — sejam ouvidos sobre o futuro da Igreja. Para tanto, conta com impulsos de comunidades locais, em uma primeira fase, assembleias regionais, no estágio seguinte e, por fim, o Sínodo dos Bispos marcado para acontecer em 2023 no Vaticano.

Temas que vêm sendo trazidos à tona mais recentemente, como maior participação feminina na tomada de decisões da Igreja e mais acolhimento a grupos ainda marginalizados pelo catolicismo tradicional — de homossexuais a divorciados em segunda união —, devem aparecer de forma recorrente nesse processo de consulta pública, a maior já realizada na milenar história do catolicismo.

Além disso, Francisco deve utilizar esse momento para consolidar uma aposta evidente em seu pontificado reformador. Ao definir que o próximo sínodo terá como tema a própria sinodalidade (maneira de ser e de agir da Igreja), ele se inspira no modo de vida dos primeiros cristãos, cujas decisões eram tomadas de forma colegiada.

Evidentemente que isso não significa que a Igreja abraçou a democracia. As decisões seguem como sempre: respeitando a hierarquia tradicional — a consulta pública é que é democrática, mas caberá ao papa a palavra final.

Fonte:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-58811011